terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

TRISTEZA

Tristeza

Maria Dorinha,
16/02/10,
às 13h00minh.


Quando a tristeza chega,

sinto-me esvaecida.

Um bem perdido.

O todo incomoda

O som geme

A palavra se cala

E até o respirar agride

e o nada consola.

O dia escurece

os pássaros se agitam

os jardins secam.

Talvez, o sono transmuta

e o pensar é simples quimera...


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

PARTINDO...

PARTINDO...

Maria Dorinha,
03/02/10, às 21h00minh
.




I


A alma caminha pelos bosques de eucaliptos,

atravessa entre os jardins de jasmins e os pomares de maças.

Está partindo.

Fica! Caso tu tens vontade...

A alma corre,

mas o corpo é lento, quase morre...

Conheceste ao toque do orbe

e ao hino da harpa celeste

e saciaste do amor.

Fica!...

Os olhos tristes, por que diriges a luz e a chama do céu?

Sente o aroma das maças,

do perfume que exala do teu corpo!

Não és betume,

És fogo que dá liga ao metal...

Óleo límpido que ungiste o amor.

Fica!

Não vai embora...



II



Sofreste com a secura da paixão

e agora que provaste o doce sabor do mel

fica!

Não vai embora...

Sofreste em excesso carregando as dores,

os trapos e a fome.

Agora que degustaste o amor

e o saber divino foi-te revelado

Fica!

Não vai embora...

O porquê tu andas abatida, choras?

Mas, caso tu desejas partir,


nenhum vento te impedirás de ir ao encontro do vazio.

Mas fica!

Talvez, tu morrerás...

Crava-se sob ti mesma!

Lava as mãos e o rosto no rio límpido,

e retorna para aprisioná-la em teu coração...

Escuta a flauta! Tudo é imaginário.


O lamento do som sobrevive à dor do passado.

A música é o bálsamo para a tua alma.

Canta ao sabor do vinho

e embriaga tua alma.

Fica!

Não vai embora...



III



Por que se deténs em circulo?

O amor está à cima dos anjos.

Não te prendas ao buraco que cavaste

para enterrar o teu corpo.

Já estiveste nesse lugar

onde Deus nunca esteve.

Por que a glória do amor não é encurvar.

Retorna-te, estas à cima da esfera celeste.

A voz do amor te chama,

é mais suave que os cânticos dos anjos.

A pura substância.

Suba, pois a sorte não te faltará

e a caravana do amor não há dualidade,

é o caminhar em busca da ascensão.

Volta ao teu coração.

E cerzirás os teus pedaços...

Fica!

Não vai embora...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Na profundeza do teu ser
e entre mim, amamos...




Amo no silêncio,
secretamente,

no interstício entre a alma e o coração.




No labirinto, na profundeza de um abismo,
entre a sombra e as luzes.



Amo com a simplicidade de um tecido branco
de algodão artesanal.




Amo como a terra que doa o húmus fértil,
sentindo-te como o roçar da brisa que ressoa às folhagem
e os pelos do meu ser...




Amo sem saber o porquê do amor,
sem a soberba em sentir.




Mas, na inteireza do meu ser simplesmente amo...

Maria Dorinha,

30/01/10, às 11:00h.




quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Há em mim uma rosa;

Uma flor;

Uma dor.

Há em mim você

Que em mim ficou...

Há em mim uma saudade;

Uma alma calada,

Do tamanho vazio

Que você em mim causou...


Maria Dorinha,
27/01/10, às 17h30min.

domingo, 3 de janeiro de 2010

TEU TEMPO?...

TEU TEMPO?...

Maria Dorinha, 01/01/2010,
às 18h00minh.



Quem inventou a roda da vida através de um tempo?

Tempo de uma folhinha amarelada com marcas de uma saudade.

Tempo do relógio cujos ponteiros enferrujaram de tamanha curiosidade por saber:- o quê vem após o teu tempo?

Tempo do cronômetro.
Onde se tem apenas um centésimo de segundo para se pensar no amor, sem teres tempo para vivê-lo, senti-lo, amá-lo.

Porque o teu tempo escreve a mesmice do sentido do amar.

O teu tempo é feito para elaborar o amor ou não amor numa concretude cotidiana, como uma lista de compras de supermercado; dentro do orçamento mensal apertado ou mesmo da falta de um trocado...

Tempo de um calendário maldito que acusa o término de mais um ano e abre brecha para renovação da programação da tua vida, tal como programa de televisão.

Pois o que te sobras é uma representação da conveniência, da falsa modéstia por teres o amor tudo ordenado, disciplinado feito clichê de um roteiro de telenovelas.

Tempo novo ou novo tempo?

Tanto faz para quem vive acuado, preso num tempo enclausurado de um quarto onde se permite sentir o amor apenas pela fresta da janela empoeirada, pela ausência de limpeza da’alma.

Hã, tempo vindouro.

Vindouro do quê? Para que? Para quem?

Se a tua vida é toda mesquinha diante de certeza derradeira dada por outrem.

Teu tempo?...

Que de tanto tempo esquecestes como é o verdadeiro amor.

Que de tamanha frieza da alma não vistes o sonho que não acalentastes.

Que de tanto riso falso não permitistes viver o amor.

Que de tanta fartura não vistes a falta de um verdadeiro amor.

Que de tamanha frieza não percebestes a frágil morte do amor.

Teu tempo?

Fazes tudo como é de práxis,
como robô ou marionete de um circo de horror.

Hã, teu tempo!...

-Um dia quem sabe, tu pedirás perdão ao tempo pelo tempo que nada fizestes em cujo nada unicamente a ti causastes...