sexta-feira, 2 de abril de 2010

AFECTAR
Maria Dorinha,
02/04/2010
às 600h.


AFECTO-ME
SEM OS OLHOS,
OUVIDO.
AFECTO-ME
COM A ALMA
QUE VÊ,
ESCUTA
E DIZ CALADA
NO VAZIO...

segunda-feira, 1 de março de 2010

HÁ EM MIM TODAS AS VIDAS...

HÁ EM MIM TODAS AS VIDAS...
Maria Dorinha,
01/03/2010.







Há em mim todas as vidas que pulsam

Rítmicas e arrítmicas

Frias e quentes

Divididas e inteiras

Dormem e têm pesadelo

Acordam e sonham

Pensam e sentem

E que são várias e unas...



São vidas que se explodem

Gritam e se calam

Riem e choram

Recordam e esquecem

Cantam e emudecem

Nadam na profundeza

E afogam na margem dos seres...



Há em mim vidas

Que brincam como criança

E adoecem como velha.

Fortes e frágeis

Que se afirmam e se negam

Suicidam-se e revivem

Morrem e renascem...


Há em mim infinitas vidas

Loucas e não insanas

Que deliram e padecem

Machucam e perdoam

Que têm coragem e são covardes

Enfrentam e afugentam

Têm vontade, mas não têm força

E amam...


domingo, 28 de fevereiro de 2010

A NATUREZA HUMANA

A NATUREZA HUMANA

Maria Dorinha,
28/02/2010, às 12h00min.




Como é engraçada a natureza humana.


Fria, como espada na alma.

Não se faz diferença verter em sangue

como verter em água.

Tudo é naturalmente não natural...

Engraçada a frágil natureza humana.

Animalesca, um tanto abestalhada!

Perde-se quando se chega,

e não se encontra quando se busca...

Sofre de vazio,

e quando preenche,

ela encharca e afoga.

Tudo é tão signatário!

Hã, uma eterna solitária de si mesma...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Novelo de lã,


sem término para desfiar.


Puxa o início e não terá fim...


O fio do labirinto do Minotauro.


Mostra a saída,


desfia e enrola...


Sou o fio de lã


que ora tece o agasalho


ora aquieta em um canto escuro.


Explodo tal como a ilha de Cretas.


Incendeio e em brasa lhe queimo,


em fumaça lhe sufoco,


na mais desfeita e perfeita perdição...



Maria Dorinha,
24/02/2010 às 05h00minh.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

VENDO SAUDADE

VENDO SAUDADE

Maria Dorinha,
21/02/2010,
às 11h00minh

Vendo saudade

E de brinde vai uma pitada

De uma oração para

Desatar nó

E abrir caminho.

É uma saudade infinita

De fazer inveja a qualquer deportado político.

Está embrulhada em papel de seda,

Multicolorido de emoção,

Com laço de fita vermelha para

Proteger do mau olhado.

Só tem um defeito

De não proliferar,

A evasão foi tamanha,

Que está por derramar.