domingo, 12 de dezembro de 2010

O assopro do amor

O assopro do amor.
Talvez seja um espanto
que verte na alma
um contentamento que plasma...
Ou um som mudo,
no ouvido surdo do cotidiano
de falas apressadas.
Ou os gestos delicados como carícia em flores,
em um tempo que há urgência,
onde tudo se faz no açoite...

Maria Dorinha,
12/12/2010 às 15h00min

domingo, 28 de novembro de 2010

INSÔNIA


Nas horas sem sono
Faço poemas.
Onde a mente delira
O corpo se agita.
A alma excita
E o coração desfalece...
maria dorinha,
29/11/2010
É fácil calar quando o que se quer é gritar
É fácil dizer não quando o que se quer é o sim.
É fácil desistir quando o que não se quer é lutar.
É fácil viver quando o que se quer é conviver.
É fácil olhar quando o que se quer é enxergar.
É fácil ouvir quando o que se quer é escutar.
É fácil acenar quando o que se quer é abraçar.
É fácil odiar a vida, repugnar-se
quando o que se quer é aconchegar-se...
É fácil construir barreiras quando o que se quer é abrir a porteira.
É fácil dá um soco quando o que se quer é acariciar.
É fácil deduzir a vida como número em matemática
quando o que se quer é fluir como éter.
É fácil usar capuz quando o que se quer é um chapéu de abas grandes.
É fácil fechar a mão quando o que se quer é sentir o calor amigo.
É fácil desconhecer quando o que se quer é aproximação.
É fácil julgar o amor como substantivo
quando o que se quer é tornar-se o adjetivo
em seu significado da ação do verbo amar...

Maria Dorinha,
28/11/2010
Ainda dá para sonhar,
que o amor vai chegar
e ao entrelaçar,
o dia não vai terminar...
E amar sem se dá conta que o dia amanheceu
ou que a noite chegou.
Ainda dá tempo de pegar o trem,
de brincar de faz de conta
numa eterna ciranda,
onde o amor é uma espera

para se brindar...

Maria Dorinha, 28/11/2010

domingo, 21 de novembro de 2010

A Mística de um amado...

A mística de um amado...
Maria Dorinha,
21/11/2010, às 11h00minh


Disponho à vida, caminho ao léu
rondo a cidade através do luar
onde o teu semblante me confunde
e se funde entre as sombras que se tropeçam em algum altar...
Quanta saudade de aurora!
Sou poetisa e tudo em mim transborda em emoção.
Re-ativa com o mundo. Onde blasfemo, por que demoras a me acalentar?
Meu senhor, guerreiro da vida me protege da dor.
Meu protetor que me guarda da ação e do veneno
não me deixe perecer tanto tempo sem te encontrar.
Amado, busco a ti em horas aflitas do meu existir.
Encontro-te em um ponto de luz, mas é o reluzir da minha própria alma
que se fundiu com o meu amar...
Amado passeio em passos lentos numa difícil arte de te inventar,
Fotografo mil paisagens onde tento captar a essência da sua alma.
Peço aos céus para calar a minha voz,
que grita interiormente pelo teu nome
como prece primeira em hebraico
que nem os místicos souberam interpretar...
Amado meu ventre pede pelo teu filho,
tanto tempo se perdeu no tempo.
Que de tamanha aridez
jogou-se no mundo para te procurar...
Hã, amado preciso da tua luz,
do teu consolo nesta dura hora de me aportar
nesta terra escura, onde a bluma e a única certeza
que me faz voltar...